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terça-feira, 24 de maio de 2011

AS MULHERES QUE NUNCA TIVE PELO MEU MELHOR AMIGO: Valquíria



Ele estava indo ao trabalho, atrasado como sempre. Chamou um taxi mas a previsão de espera era mais de 30 minutos. Resolveu ir caminhando, também de sua casa ao serviço, com largas passadas não dava 20 minutos. Era uma manhã linda, clara, com um vento batendo no rosto, poucas nuvens no céu, crianças brincando na rua, uma infinidade de carros passando de um lado para o outro. A cabeça estava na lista de coisas que tinha para resolver. Mentalmente ia priorizando seus afazeres mais urgentes. Óculos escuro no rosto, olhar longe, uma mochila nas costas e de repente ouve um – Bom dia moço, pode me ajudar, por favor? Sem nem ter ouvido direito, pára, olha a moça de cima a baixo, com a boca entreaberta, balança a cabeça e acena -  sim. Ela era dona de uma voz linda, de um perfume inebriante e muito bem vestida. Chamou-o para ajudar em sua mudança. Não foi preciso explicar nada e nem porque não tinham ajudantes junto ao motorista do caminhão. Atravessou a rua, adentrou o portão, desceu os degraus até a porta de entrada e carregou cada um dos poucos móveis que ali existia. Esqueceu-se do trabalho, compromisso, de horário, esqueceu-se do mundo. Entre subidas e descidas de escada ele a devorava com os olhos, feito cachorro olhando a máquina de frangos rodando na padaria, mas tomava cuidado para que  ela não notasse. Ledo engano. Além dela já ter percebido, fazia questão de ir na frente, de subir os degraus com calma, de rebolar mais do que o de costume e volta e meia virar o rosto dirigindo uma palavra ou outra: Você caiu do céu moço, nem sei como te agradecer! Ele sabia como queria ser agradecido, e aquele ar aparente de  moça casta não o convencia. Não demorou muito para carregar o caminhão, já estava em seus braços o últmo objeto, um puff de couro que ficava em frente a tv na sala da pequena casa. Ele entregou ao morotista que estava dentro da caçamba amarando a mudança de forma a realizar o transporte com segurança, quando ela lança mais uma: - Escuta moço, você pode descer comigo, queria ter a certeza que não estou esquecendo nada! Não exitou em aceitar o convite. Foram conversando, passaram o limite da porta de entrada da sala e ali mesmo ela teve certeza que havia esquecido de carregar na mudança aquele beijo. Meu amigo me contou que até hoje não voltou a vê-la. Sabe-se dela o nome, Valquíria, que escreveu num pedaço de papel junto a um número de telefone que sempre está desligado. Fora isso não esquece do seu cheiro, sua voz, da forma como estava vestida e da boca que no dia daquela mudança transportou seus pensamentos! J. S.

2 comentários:

  1. Sueli Queiroz...24 de maio de 2011 06:08

    Lindo, e isso temos que viver o momento,e continuar a nossa felicidade, mesmo não encontrando um grande "Amor".

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  2. Este é meu preferido!!! Sempre lendo LINDO D+...

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